Café do Ponto -
Trabalhando no interior do Estado de São Paulo em uma cidade muito importante tive a oportunidade de conhecer tipos de pessoas curiosas e surpreendentes.
Após o expediente era normal que, para espairecer, reunimo-nos em um boteco muito simpático, com um chopp e comidinhas que embalavam conversas as mais divertidas.
Nesse ambiente proliferava o convívio de figuras absolutamente fora do que se convenciona chamar de normal. Uma fauna muito grande de exemplos curiosos, o que nos obriga a pinçar aqueles mais heterodóxicos:
"O buraqueador" - especializado em olhar mulheres através do buraco de fechaduras. Como ele conseguia era segredo, e ele se gabava de já ter "buraqueado" grande parte das mulheres da cidade cujas particularidades descrevia sem pudor.
Outras figuras vão ser citadas, mas vou detalhar aquele que me parece o mais surreal.
"Dadinho" - um rapaz alegre, contador de "causos" e que se envolveu em um acontecimento sui-generis.
Namorava já há algum tempo uma menina muito bonita e confessava ter amor sincero por ela. Tinha um rival, sujeito nada recomendável que vivia provocando o casal na esperança de com futricas e mal entendidos provocar brigas e a ruptura do namoro.
Uma noite, recolheu em um pedaço de jornal grande quantidade de merda. De madrugada, foi até a casa onde morava a menina e lançou contra as janelas da casa toda a merda acumulada e gritava muito alto:
---- Dadinho, você está maluco?
---- Não faça isso Dadinho.
È fácil concluir que a família se voltou toda contra o Dadinho querendo explicações e por consequência houve o rompimento indignado do namoro.
Dadinho se manteve calmo e descobrindo quem era o causador do desastre, chamou o desafeto para uma conversa. Ele confessou o "crime" e argumentou que não tinha escrúpulo e fazia qualquer coisa para obter o que queria.
Dadinho ouviu quieto esse desabafo, não se alterou e só disse uma frase:
----Eu estou em litígio com você!!! Nada mais do que isso.
Passou-se uma semana e para surpresa de todos comentava-se que uma bomba (dinamite) explodira na casa do desafeto do Dadinho, derrubando literalmente a garagem e fazendo grande estragos em toda a casa.
"Estou em litígio com você"! Quando ouvir essa frase, lembre-se do Dadinho
"Paternis"
Rapaz de familia rica, mas completamente alheio ao convencional e sem nenhuma perspectiva de buscar um caminho normal, ou seja, aquele que a classe média da época julgava ser o melhor para os filhos: faculdade, pósgraduação buscando emprego no florescente mercado empresarial. Hoje sabemos que esses valores são, para dizer o mínimo, discutíveis.
"Paternis", como o próprio nome já identifica falava colocando o i e s, no final de qualquer frase.
Tinha dois amigos inseparáveis - o Mauritis e o Gravatis.
Conta-se que gostavam muito de corrida de cavalos e frequentavam com frequência o turfe de São Paulo. Tinham um informante profissional que lhes dava informações "de cocheira", isto é, sigilosas e que garantiriam apostas certas com lucro alto.
Esse informante se intitulava conde com seu sotaque italiano, e era, na verdade, um tremendo enganador.
Depois de uma indicação fajuta e que deu grande prejuizo ao grupo, ouviu-se o "Paternis" dizendo:
----Mauritis e Gravatis deram 30 marteladis cabecis de condis!!!!!!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
CAUSOS CORPORATIVOS --
"Rosa da Fonseca - Anna Neri
Para quem se lembra, esses nomes eram navios de turismo que percorriam rotas de pequenas e médias distancias sempre ligando grandes centros a alvos turísticos de grande relevância e sempre em datas que englobavam feriados de no máximo 5 dias - Páscoa, Finados e outros.
Era um assíduo frequentador desses passeios, junto com amigos. Conhecia-se muitas pessoas, iniciavam-se amizades fortuitas e convivia-se com ambiente mágico de bordo, participando de festas e esportes em pleno mar
Uma vez, embarcado em um desses navios presenciei e convivi com um fato inusitado e para os descrentes absolutamente improvável e para os mais radicais, mentiroso.
Depois de uma festa de "arromba" em que se bebeu muito - era sábado e a noite estava iluminada por uma lua enorme e absolutamente bela.
No dia seguinte, quando do café da manhã, correu um "zum-zum-zum" preocupante. Dizia que um rapaz que fazia parte de um grupo conhecido havia sumido. Seu nome era Dudu e realmente se tornou uma figura obrigatória e querida de todos.
A rota era Santos-guaraparí, passando pelo Rio de Janeiro.
Esse incidente aconteceu na noite de saída do Rio, em busca do litoral d Espirito Santo.
As horas passavam e nada de encontrarem o Dudu. Lá pelas tantas fomos informados que o comandante havia recebido um telefonema da guarda costeira no intuito de confirmar se um rapaz com as características do Dudu era realmente passageiro do navio.
Diziam que ele fora entrgue às autoridades por uma embarcação cargueira com bandeira Sérvia e que ele estava completamente nú e bastante desorientado.
Com a burocracia satisfeita ficamos todos ansiosos para atrcar em VItória e poder resgatar o náufrago de volta.
Foi recebido como um heroi. Trazia todo o lado direito do rosto e do corpo alterado, com manchas vermelho/azuladas, consequencia natural do impacto do seu corpo conta o mar.
Contou-nos uma história que acreditamos verdadeira, porem,sem dúvida, fantástica.
Para melhor compreensão é necessário esclarecer que ele era rapaz muito alto e forte. Disse ele que na noite de sábado, completamente bebado subiu até o convés superior para , lomge dos olhares das pessoas, vomitar a vontade. Apoiou-se na grade protetora e inclinou-se ao máximo para que o vômito não respingasse no conves de baixo.
Com o movimento do navio perdeu o equilibrio e caiu, esborrajando-se de encontro às ondas.
DEntro da águae procurandorecompor-se, viu, desesperado o nosso navio seguir seu rumo, deixando-o ali, flutuando e agarrando-se à vida. Olhava para a terra e via borrões de luzes muito distantes mostrando ser impossível chegar-se à terra nadando.
Tirou toda a roupa e completamente nú começou a boiar e a seguir o instinto de sobrevivência.
Conta ele que foi boiando e rezando embaixo daquela lua exuberante viu extasiado que outro navio passava ao largo. Gritou e acenou com vigor e o navio, pasmem, parou e alertado por um tripulante solitário começou a procurar "homem ao mar". Depois de algum tempo não tendo sucesso na localização, o navio simplesmente acionou suas máquinas e partiu
Era um navio japonês.
O ânimo do Dudu ficou abaixo de zero e ele confessa tentou várias vezes o suicídio, mergulhando e forçando a ficar embaixo dagua na tentativa de desfalecer e se afogar.
Mas o instinto da vida é mais forte e ele foi recompensado, pois ao largo constatou a vinda de um outro navio em sua direção. Com o auxílio da lua grandiosa e alertados pelos gritos e acenos do Dudu, esse navio parou e com perceverança procurou e finalmente localizou o náufrago.
Retirado da água e completamente nú e sem documentos, os tripulantes brincavam que haviam resgatado o próprio Netuno.
O navio era Servio e depois de muita luta para comunicação em várias linguas e muitos gestos, chegara a um acordo e continuaram a viagem até Vitória onde entregaram seu fortuito passageiro às autoridades do porto.
História fantástica que mereceu, inclusive, uma entrevista num talk show famoso da época, onde o nosso heroi explicou novamente, cm detalhes como se safou dessa aventura.
"Rosa da Fonseca - Anna Neri
Para quem se lembra, esses nomes eram navios de turismo que percorriam rotas de pequenas e médias distancias sempre ligando grandes centros a alvos turísticos de grande relevância e sempre em datas que englobavam feriados de no máximo 5 dias - Páscoa, Finados e outros.
Era um assíduo frequentador desses passeios, junto com amigos. Conhecia-se muitas pessoas, iniciavam-se amizades fortuitas e convivia-se com ambiente mágico de bordo, participando de festas e esportes em pleno mar
Uma vez, embarcado em um desses navios presenciei e convivi com um fato inusitado e para os descrentes absolutamente improvável e para os mais radicais, mentiroso.
Depois de uma festa de "arromba" em que se bebeu muito - era sábado e a noite estava iluminada por uma lua enorme e absolutamente bela.
No dia seguinte, quando do café da manhã, correu um "zum-zum-zum" preocupante. Dizia que um rapaz que fazia parte de um grupo conhecido havia sumido. Seu nome era Dudu e realmente se tornou uma figura obrigatória e querida de todos.
A rota era Santos-guaraparí, passando pelo Rio de Janeiro.
Esse incidente aconteceu na noite de saída do Rio, em busca do litoral d Espirito Santo.
As horas passavam e nada de encontrarem o Dudu. Lá pelas tantas fomos informados que o comandante havia recebido um telefonema da guarda costeira no intuito de confirmar se um rapaz com as características do Dudu era realmente passageiro do navio.
Diziam que ele fora entrgue às autoridades por uma embarcação cargueira com bandeira Sérvia e que ele estava completamente nú e bastante desorientado.
Com a burocracia satisfeita ficamos todos ansiosos para atrcar em VItória e poder resgatar o náufrago de volta.
Foi recebido como um heroi. Trazia todo o lado direito do rosto e do corpo alterado, com manchas vermelho/azuladas, consequencia natural do impacto do seu corpo conta o mar.
Contou-nos uma história que acreditamos verdadeira, porem,sem dúvida, fantástica.
Para melhor compreensão é necessário esclarecer que ele era rapaz muito alto e forte. Disse ele que na noite de sábado, completamente bebado subiu até o convés superior para , lomge dos olhares das pessoas, vomitar a vontade. Apoiou-se na grade protetora e inclinou-se ao máximo para que o vômito não respingasse no conves de baixo.
Com o movimento do navio perdeu o equilibrio e caiu, esborrajando-se de encontro às ondas.
DEntro da águae procurandorecompor-se, viu, desesperado o nosso navio seguir seu rumo, deixando-o ali, flutuando e agarrando-se à vida. Olhava para a terra e via borrões de luzes muito distantes mostrando ser impossível chegar-se à terra nadando.
Tirou toda a roupa e completamente nú começou a boiar e a seguir o instinto de sobrevivência.
Conta ele que foi boiando e rezando embaixo daquela lua exuberante viu extasiado que outro navio passava ao largo. Gritou e acenou com vigor e o navio, pasmem, parou e alertado por um tripulante solitário começou a procurar "homem ao mar". Depois de algum tempo não tendo sucesso na localização, o navio simplesmente acionou suas máquinas e partiu
Era um navio japonês.
O ânimo do Dudu ficou abaixo de zero e ele confessa tentou várias vezes o suicídio, mergulhando e forçando a ficar embaixo dagua na tentativa de desfalecer e se afogar.
Mas o instinto da vida é mais forte e ele foi recompensado, pois ao largo constatou a vinda de um outro navio em sua direção. Com o auxílio da lua grandiosa e alertados pelos gritos e acenos do Dudu, esse navio parou e com perceverança procurou e finalmente localizou o náufrago.
Retirado da água e completamente nú e sem documentos, os tripulantes brincavam que haviam resgatado o próprio Netuno.
O navio era Servio e depois de muita luta para comunicação em várias linguas e muitos gestos, chegara a um acordo e continuaram a viagem até Vitória onde entregaram seu fortuito passageiro às autoridades do porto.
História fantástica que mereceu, inclusive, uma entrevista num talk show famoso da época, onde o nosso heroi explicou novamente, cm detalhes como se safou dessa aventura.
sábado, 3 de maio de 2014
Sobre o Autor
Hoje se consubstancia como normal e verdadeiro os velhos e cansados rituais de apresentação e-ou de se conhecer uma nova pessoa, seja na informalidade de um encontro pessoal ou mais frequentemente em eventos sociais, onde invariavelmente, além do nome, é obrigatório declarar o seu "status" profissional, qual o ramo de negócio e outros interesses.
A hipocrisia dessa prática formal de aproximação pseudo educada e dentro das etiquetas do bom comportamento, esconde, na verdade, uma atitude evidente de aproveitar possíveis sinergias vantajosas.
Dançam, portanto, um minueto artificial e pouco confiável a demonstrar claramente o caráter ambicioso do encontro.
Eu, ao contrário, proponho visualizar somente o meu lado humano, oferecendo, com franqueza, o meu perfil verdadeiro, mostrando com honestidade suas esperanças, percalços, idiossincrasias, desejos, enfim querendo que se visualize não a minha máscara política, mas o minha máscara social, real, aquela que realmente valorizo como humana.
Os homens desaprenderam esses ensinamentos, os quais são reverenciados desde os gregos com o estoicismo que na palavra de Cícero diz:
"Se a natureza determina que devemos respeitar um homem apenas pelo fato de sua condição humana, é inegável que sempre segundo a natureza, há algo que é de interesse comum a todos os homens; se assim é , somos todos sujeitos a uma só lei natural, que proíbe atentar contra os direitos alheios. Cada qual deve , em todas as matérias, ter um só objetivo; conformar o seu próprio interesse com o interesse geral; pois se cada um chamar tudo para si, dissolve-se a comunidade humana".
Corro o risco de ser chamado de sonhador ou de crer em utopias, mas como afirma a parábola do escorpião e da rã, esta é a minha natureza.
Obedecendo estes princípios declaro que:
Meu nome é Fernando Teixeira de Simas, tenho 72 anos de idade, sou casado com Rosaly a 42 anos, tenho 4 filhos (3 mulheres e 1 homem), moro e amo a cidade de São Paulo e aqui vivo a mais de seis décadas. Gosto de futebol (sou são-paulino), conversa inteligente com cerveja,cinema, teatro, livros, restaurantes (quando cabem no orçamento) e viajar.
Não tenho religião e acredito profundamente na força do homem, com seu cérebro privilegiado e na natureza.
Sobrevivi até aqui, por mais de 45 anos, contribuindo com o capitalismo, e sob uma análise sócio-econômica, com a combustão da minha força de trabalho fortalecendo portanto a eterna disparidade de interesses que configuram o binômio trabalho-capital.
Sendo assim tenho plena convicção em enaltecer os valores que privilegiam os contatos que vincam as relações de confraternização, amizade, generosidade, as quais deveriam ser obrigatoriamente as relações interpessoais.
Lembro, a propósito, a piada do "caipira" que na sua condição de pequeno arrendatário de um grande e influente fazendeiro, foi convidado - com certeza para consubstanciar sua falsa atenção aos mais humildes -a um jantar na suntuosa sede da propriedade.
Lá chegando e se sentindo um verdadeiro "estranho no ninho" foi sucessivamente apresentado a todos os chamados dignatários presentes. Depois de exaustivos contatos, foi finalmente apresentado a um senhor emperdigado e muito pedante, digno representante dos atuais "dândis" que representam os bem nascidos. O homem olhou o caipira com desprezo e muito altivo disse:
-----Olvídio a seu dispor.
O caipira saindo com as botinas rangendo, resmungou:
---- Olvídio, nome mais feio - parece nome de "oreia"!!!
Mal comparado sou portanto, um caipira que se arvorou o direito de participar, modestamente, do mundo literário.
A hipocrisia dessa prática formal de aproximação pseudo educada e dentro das etiquetas do bom comportamento, esconde, na verdade, uma atitude evidente de aproveitar possíveis sinergias vantajosas.
Dançam, portanto, um minueto artificial e pouco confiável a demonstrar claramente o caráter ambicioso do encontro.
Eu, ao contrário, proponho visualizar somente o meu lado humano, oferecendo, com franqueza, o meu perfil verdadeiro, mostrando com honestidade suas esperanças, percalços, idiossincrasias, desejos, enfim querendo que se visualize não a minha máscara política, mas o minha máscara social, real, aquela que realmente valorizo como humana.
Os homens desaprenderam esses ensinamentos, os quais são reverenciados desde os gregos com o estoicismo que na palavra de Cícero diz:
"Se a natureza determina que devemos respeitar um homem apenas pelo fato de sua condição humana, é inegável que sempre segundo a natureza, há algo que é de interesse comum a todos os homens; se assim é , somos todos sujeitos a uma só lei natural, que proíbe atentar contra os direitos alheios. Cada qual deve , em todas as matérias, ter um só objetivo; conformar o seu próprio interesse com o interesse geral; pois se cada um chamar tudo para si, dissolve-se a comunidade humana".
Corro o risco de ser chamado de sonhador ou de crer em utopias, mas como afirma a parábola do escorpião e da rã, esta é a minha natureza.
Obedecendo estes princípios declaro que:
Meu nome é Fernando Teixeira de Simas, tenho 72 anos de idade, sou casado com Rosaly a 42 anos, tenho 4 filhos (3 mulheres e 1 homem), moro e amo a cidade de São Paulo e aqui vivo a mais de seis décadas. Gosto de futebol (sou são-paulino), conversa inteligente com cerveja,cinema, teatro, livros, restaurantes (quando cabem no orçamento) e viajar.
Não tenho religião e acredito profundamente na força do homem, com seu cérebro privilegiado e na natureza.
Sobrevivi até aqui, por mais de 45 anos, contribuindo com o capitalismo, e sob uma análise sócio-econômica, com a combustão da minha força de trabalho fortalecendo portanto a eterna disparidade de interesses que configuram o binômio trabalho-capital.
Sendo assim tenho plena convicção em enaltecer os valores que privilegiam os contatos que vincam as relações de confraternização, amizade, generosidade, as quais deveriam ser obrigatoriamente as relações interpessoais.
Lembro, a propósito, a piada do "caipira" que na sua condição de pequeno arrendatário de um grande e influente fazendeiro, foi convidado - com certeza para consubstanciar sua falsa atenção aos mais humildes -a um jantar na suntuosa sede da propriedade.
Lá chegando e se sentindo um verdadeiro "estranho no ninho" foi sucessivamente apresentado a todos os chamados dignatários presentes. Depois de exaustivos contatos, foi finalmente apresentado a um senhor emperdigado e muito pedante, digno representante dos atuais "dândis" que representam os bem nascidos. O homem olhou o caipira com desprezo e muito altivo disse:
-----Olvídio a seu dispor.
O caipira saindo com as botinas rangendo, resmungou:
---- Olvídio, nome mais feio - parece nome de "oreia"!!!
Mal comparado sou portanto, um caipira que se arvorou o direito de participar, modestamente, do mundo literário.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Apresentação - Gastronomia
Sobre o autor
O que leva uma pessoa, em determinada época da vida a escrever um livro?
Podemos especular que estivesse inconscientemente obedecendo o que os alemães chamam de "Zeitgeist" - o espírito do tempo - que determina o momento certo de extravasar sentimentos armazenados e reprimidos por toda uma vida, e que finalmente afloram de forma acabada e definitiva.
A essa hipótese acrescento um "fato novo", ou seja, a vontade de extravasar minha experiência ancorada na minha idade avançada. Já diziam os chineses: "não tem um velho em casa .... compre um"!!!
Portanto seria possível dizer que as experiências acumuladas dariam aos velhos tão almejada sabedoria?``
É uma hipótese bastante discutível.
Mas gostaria de consubstanciar estes argumentos citando um livro póstumo de Edward Said que retoma algumas ideias de Theodor Adorno para analisar o momento na obra de Beethoven, entre outros, quando a proximidade da morte permitiria abandonar as convenções do seu tempo para expor um novo pensar alheio às convenções e tiranias do pensamento medíocre e padronizado daqueles que, sem personalidade, seguem a "manada, concordando mediocrizados em serem manipulados.
O livro chama-se "On Late Style - O Estilo Tardio" e demonstra a idade avançada não como acomodação ou pacificação, mas como rebeldia e não conformismo.
"Tardio" é o que chega por último, mas também o avançado e o mais recente. Pelos dois pontos de vista o sentido é de extemporaneidade, em descompasso com o seu tempo, em desacordo com o presente.
Assim os últimos trabalhos de Beethoven, à época obscuros e irreconciliáveis, na verdade anunciam a modernidade na música.
"O Estilo Tardio" é um tipo de exílio auto-imposto em relação ao que é geralmente aceitável
Tenho a impressão que é este o sentimento que tiraniza e ao mesmo tempo consola aqueles como eu, que já se aproximam da terceira esquina da vida.
Nem de longe pensar em se ombrear com Adorno ou com Beethoven, simplesmente entender que temos sim dentro de nós esse "Estilo Tardio" a configurar ensinamentos obtidos por toda uma existência. Não aceitar que o inconsciente coletivo refletido em pensamentos óbvios e repletos de clichês, possam sensibilizar inteligências exclarecidas.
Contribuir no direcionamento da formação de potenciais latentes a incentivar atitudes que pudessem efetivamente contribuir para a formação de uma consciência contraria a postura própria do brasileiro comum, cultor implacável da nossa herança ibérica: o conformismo e o fatalismo
O que leva uma pessoa, em determinada época da vida a escrever um livro?
Podemos especular que estivesse inconscientemente obedecendo o que os alemães chamam de "Zeitgeist" - o espírito do tempo - que determina o momento certo de extravasar sentimentos armazenados e reprimidos por toda uma vida, e que finalmente afloram de forma acabada e definitiva.
A essa hipótese acrescento um "fato novo", ou seja, a vontade de extravasar minha experiência ancorada na minha idade avançada. Já diziam os chineses: "não tem um velho em casa .... compre um"!!!
Portanto seria possível dizer que as experiências acumuladas dariam aos velhos tão almejada sabedoria?``
É uma hipótese bastante discutível.
Mas gostaria de consubstanciar estes argumentos citando um livro póstumo de Edward Said que retoma algumas ideias de Theodor Adorno para analisar o momento na obra de Beethoven, entre outros, quando a proximidade da morte permitiria abandonar as convenções do seu tempo para expor um novo pensar alheio às convenções e tiranias do pensamento medíocre e padronizado daqueles que, sem personalidade, seguem a "manada, concordando mediocrizados em serem manipulados.
O livro chama-se "On Late Style - O Estilo Tardio" e demonstra a idade avançada não como acomodação ou pacificação, mas como rebeldia e não conformismo.
"Tardio" é o que chega por último, mas também o avançado e o mais recente. Pelos dois pontos de vista o sentido é de extemporaneidade, em descompasso com o seu tempo, em desacordo com o presente.
Assim os últimos trabalhos de Beethoven, à época obscuros e irreconciliáveis, na verdade anunciam a modernidade na música.
"O Estilo Tardio" é um tipo de exílio auto-imposto em relação ao que é geralmente aceitável
Tenho a impressão que é este o sentimento que tiraniza e ao mesmo tempo consola aqueles como eu, que já se aproximam da terceira esquina da vida.
Nem de longe pensar em se ombrear com Adorno ou com Beethoven, simplesmente entender que temos sim dentro de nós esse "Estilo Tardio" a configurar ensinamentos obtidos por toda uma existência. Não aceitar que o inconsciente coletivo refletido em pensamentos óbvios e repletos de clichês, possam sensibilizar inteligências exclarecidas.
Contribuir no direcionamento da formação de potenciais latentes a incentivar atitudes que pudessem efetivamente contribuir para a formação de uma consciência contraria a postura própria do brasileiro comum, cultor implacável da nossa herança ibérica: o conformismo e o fatalismo
terça-feira, 5 de março de 2013
VERBETE - o espaço o espaço
VERBETE - DESIGN.
Cadeiras e mesas.
O Espaço como conceito.
Segundo a sabedoria chinesa o espaço é inexistente - os objetos podem atuar uns sobre os outros a distâncias fantásricas.
Ou o espaço segundo o poeta Mario Quintana em que trata da sua fixação na imagem "últimos lampiões da rua", das esquinas que vão dar no desconhecido, das curvas de estradas que escondem o seu prolongamento e atiçam nosso imaginário. Um espaço muito particular e misterioso.
Espaços particulares sempre a espera de serem estudados pelo design criativo, fornecendo subsídios para o seu aproveitamento.
Até recentemente tinha-se como referencial a importância do espaço da cozinha como ponto de encontro da família em suas refeições. Convencionou-se acreditar que era possível uma aproximação e convívio salutar, discutindo-se em torno da Gastronomia o dia a dia de cada um.
As cozinhas eram a continuação das salas de estar.
Em seguida elevou-se o banheiro ao status de "sala de banho", portanto dotado do melhor e mais moderno conjunto de objetos facilitadores da higiene.
Era um espaço único e exclusivo.
Verificamos que a tendência do decorar cada um desses espaços foi um crescendo entre espaço ecumênico e comunitário passando por intimidade até atingir o exclusivo privilegiando o individualismo.
Nesse quesito destaca-se o quarto, não mais designado de forma aleatória "quarto de dormir", mas principalmente para o jovem de hoje o lugar onde ele tenta produzir o seu universo particular.
Preencher e compor espaços, eis a preocupação maior dos criadores que certamente se espelham no passado para criar o futuro.
Estão na vanguarda, alem do bem e do mal, alem do princípio do prazer. Há um prazer de se sentir diferente.
Portanto sabemos como é sofisticado o desenho das mesas e cadeiras atuais.
Como isso evoluiu?
Uma casa de campo da segunda metade do século XVIII, o jantar era servido às 4 ou 5 horas da tarde - ainda dia - portanto se escolhia uma decoração em tons claros.
A característica inovadora de um aposento especial para comer pressupõe erradamente que a mesa estivesse permanentemente montada. Na Inglaterra isso só aconteceu após 1780 com a invenção das "mesas com dobras" que poderiam ser abertas ou dobradas de acordo com o número de comensais.
Anterior a isso as mesas eram simples pranchas e/ou tábuas fixas e pesadas removíveis dependendo da ocasião.
As cadeiras ficavam encostadas na parede e eram trazidas para junto da mesa de refeição.
A popularização das mesas redondas e ovais com abas e pernas dobráveis, refletia um novo desejo de informalidade. As inovações nas cadeiras revelaram esse movimento.
Até cerca de 1675 a forma mais comum era a cadeira adequada à saia balão, basicamente um banquinho com encosto - extremamente desconfortável.
Em seguida começou a aparecer cadeiras com assento de palhinha idênticas, exceto quanto aos entalhes. Tornaram-se a norma na França e na Inglaterra.
Portanto os designs da época evoluiram absorvendo a cultura e a demanda da época, proporcionando mais comodidade e se adaptando à evolução natural dos costumes.
Cadeiras e mesas.
O Espaço como conceito.
Segundo a sabedoria chinesa o espaço é inexistente - os objetos podem atuar uns sobre os outros a distâncias fantásricas.
Ou o espaço segundo o poeta Mario Quintana em que trata da sua fixação na imagem "últimos lampiões da rua", das esquinas que vão dar no desconhecido, das curvas de estradas que escondem o seu prolongamento e atiçam nosso imaginário. Um espaço muito particular e misterioso.
Espaços particulares sempre a espera de serem estudados pelo design criativo, fornecendo subsídios para o seu aproveitamento.
Até recentemente tinha-se como referencial a importância do espaço da cozinha como ponto de encontro da família em suas refeições. Convencionou-se acreditar que era possível uma aproximação e convívio salutar, discutindo-se em torno da Gastronomia o dia a dia de cada um.
As cozinhas eram a continuação das salas de estar.
Em seguida elevou-se o banheiro ao status de "sala de banho", portanto dotado do melhor e mais moderno conjunto de objetos facilitadores da higiene.
Era um espaço único e exclusivo.
Verificamos que a tendência do decorar cada um desses espaços foi um crescendo entre espaço ecumênico e comunitário passando por intimidade até atingir o exclusivo privilegiando o individualismo.
Nesse quesito destaca-se o quarto, não mais designado de forma aleatória "quarto de dormir", mas principalmente para o jovem de hoje o lugar onde ele tenta produzir o seu universo particular.
Preencher e compor espaços, eis a preocupação maior dos criadores que certamente se espelham no passado para criar o futuro.
Estão na vanguarda, alem do bem e do mal, alem do princípio do prazer. Há um prazer de se sentir diferente.
Portanto sabemos como é sofisticado o desenho das mesas e cadeiras atuais.
Como isso evoluiu?
Uma casa de campo da segunda metade do século XVIII, o jantar era servido às 4 ou 5 horas da tarde - ainda dia - portanto se escolhia uma decoração em tons claros.
A característica inovadora de um aposento especial para comer pressupõe erradamente que a mesa estivesse permanentemente montada. Na Inglaterra isso só aconteceu após 1780 com a invenção das "mesas com dobras" que poderiam ser abertas ou dobradas de acordo com o número de comensais.
Anterior a isso as mesas eram simples pranchas e/ou tábuas fixas e pesadas removíveis dependendo da ocasião.
As cadeiras ficavam encostadas na parede e eram trazidas para junto da mesa de refeição.
A popularização das mesas redondas e ovais com abas e pernas dobráveis, refletia um novo desejo de informalidade. As inovações nas cadeiras revelaram esse movimento.
Até cerca de 1675 a forma mais comum era a cadeira adequada à saia balão, basicamente um banquinho com encosto - extremamente desconfortável.
Em seguida começou a aparecer cadeiras com assento de palhinha idênticas, exceto quanto aos entalhes. Tornaram-se a norma na França e na Inglaterra.
Portanto os designs da época evoluiram absorvendo a cultura e a demanda da época, proporcionando mais comodidade e se adaptando à evolução natural dos costumes.
VERBETES
VERBETE - GLOBALIZAÇÃO
Essa nova experiência do capitalismo visando acelerar tráfego de mercadorias através de um processo de neo´colonização.
Trouxe com ele a aceleração quase tirânica da tecnologia maximizando processos de comunicação.
Tudo hoje é rápido e quase instantâneo com o aprimoramento de aparelhos e máquinas que otimizam a busca pelo nossos desejos, anseios e satisfação.
Espetacular mudança de paradigma da era industrial para a era da informação.
Oslaços sociais serão portanto modificados e inevitavelmente vão se multiplicar em pequenos núcleos.
A Globalização acelera o tempo.
Portanto ela é responsável pela formação de cadeias de fornecimento incrivelmente complexas, que ligam os produtores ao mercado e tambem pela difusão de modismos e novas maneiras de consumir.
Aí entra a Gastronomia colaborando com esse conceito.
O exemplo é o Suchi - no caso o gosto pelo peixe crú.
Não faz muito tempo o atum fresco era algo praticamente sem valor na maior parte do mundo.
Os pescadores amadores que fisgavam um atum "blue fin"(de barbatanas azuis, um dos maiores) ao largo do norte dos EUA, muitas vezes tinham que pagar alguem para carrega-lo até o lixão da cidade.
Tudo mudou quando, no início dos anos 70, um técnico japonês, criou uma maneira de conservar e transportar atuns de um lado do mundo ao outro.
A Japan Airlines vinha procurando algumas mercadorias para transportar em seus aviões que levavam artigos eletrônicos japoneses para outros continentes, mas faziam a viagem de volta (retorno) vazios.
O primeiro peixe chegado ao Japão nessas circunstâncias foi vendido no mercado de Tsukiji em Tóquio em 1972 e assim nasceu uma nova industria global - a economia do Suchi.
A culinária portanto foi a catalizadora de interesses distintos, dando origem à formação de um novo e formidável mercado.
VERBETE - COUVERT.
Luiz XIV jantava e ceava em público, o que originou a expressão "au grand couvert", ou seja, referia-se a grande quantidades de pratos oferecidos.
Esses jantares não eram diários, mas obedeciam a um cronograma estabelecido. - em geral em datas festivas e dias específicos da semana.
Em seguida o jantar passou a acontecer privadamente, "au petit couvert". O Rei comia sozinho numa mesa posta em seus aposentos de gala.
VERBETE - BOAS MANEIRAS.
Após a revolução francesa em 1789 grandes mudanças ocorreram, corroborando na democratização de costumes antes previlégios da corte - entre ela as boas maneiras.
Na verdade elas foram assililadas aos poucos dada a resistência da aristocracia que teimava em ostentar superioridade social. Ela estava sob constante pressão das classes comerciais e profissionais em expansão e tambem do agora fortalecido convívio com livros que descreviam os labirintos com portamentais da corte.
Mudanças no ato de comer decorrentes tanto da nova culinária como da multiplicaçaõ dos talheres e do uso cada vez mais difundido do garfo.
A mudança pratica mais significativa foi a individualização do ato de comer. Pela primeira vez cada comensal formava uma unidade com seu próprio prato, guardanapo e talheres - já não tinha que dividi-los com os outros comensais e portanto responsável pelos seus próprios modos.
VERBETE - ORIGENS.
Os retaurantes proliferaram e se tornaram comuns após a revolução francesa 1789 quando os "chefs" cozinheiros empregados em casa nobres, perderam essa condição em virtude da quebra dos privilégios e a ruína da realeza e da nobreza.
Desempregados e sem ter outra opção, esses "chefs" começaram a comercializar o que mais sabiam fazer - cozinhar, mas agora sem sofisticação e se adaptando ao gosto popular.
Surgiram portanto dezenas de restaurantes.
Já se conheciam refeições comunitárias - ou uma prévia dos futuros restaurantes - nos primórdios da era crisã. Exemplo seria Pompéia, cidade surpreendente por suas iniciativas criativas como transporte coletivo e de mercadorias, calefação interna, sexo organizado, panfletagem política - utilizavam a grafitagem como via de comunicação.
As refeições eram comercializadas em lugares amplos e abertos vizando oferecer alimentação para comerciantes estrangeiros e/ou para os trabalhadores locais - maneira prática de não se perder tempo.
VERBETE - GUARDANAPO.
Nos jantares da corte de Luiz XIV o chefe de la paneterie entrava levando o guardanapo real num prato de ouro, que era entrgue ao Rei pelo "maitre d'hotel", mas se estivessem presente um príncipe de sangue ou algum outro grande personagem a tarefa (ou a honra) lhe era atribuida.
Sob Luiz XV, passou a ser costume o Delfim e a filha mais velha apresentarem o guardanapo ao Rei e a Rainha respectivamente.
Assinar:
Postagens (Atom)
