domingo, 17 de janeiro de 2016

CAUSOS CORPORATIVOS

Sinergia - Suas origens.  --

Houve uma época que como executivo de vendas de empresa multinacional, me deparei com uma situação inusitada.
Tínhamos um cliente que como fabricante de utencílios agrícolas, como foices. machados, enxadas, e outros era consumidor regular de nossos produtos de linha.
Havia uma grande aproximação entre nossas empresas, fruto de anos de convivência bastante produtiva.
Com o correr do tempo começamos a entender que nossas relações poderiam ficar bem mais próximas, maximizando nossas trocas visando atender mercado reprimido e ainda embrionário, mas bastante promissor.
È preciso esclarecer que dentro de nossa linha de produção havia um produto específico para afiar exatamente aqueles produtos por eles fabricados.
Era uma pedra em formato elíptico muito conhecida e admirada, principalmente no interior no interior do Brasil.
A tal ponto ela era importante que conferia ao seu possuidor certo "status" que agregava valor àquele que orgulhosamente a levava em seu bolso traseiro, mostrando-a dissimuladamente.
Ela era comercializada e vendida normalmente para grandes distribuidores que tinham ramificações nos glotões mais remotos do país.
Mas assim mesmo tínhamos certeza que ainda era necessário mais esforços no sentido de atingir essa imensa demanda reprimida.
Daí surgiu a idéia de propormos um "fato novo" àquele cliente referido no início.
Eles podiam acrescentar ao seu port-fólio, alem de seus produtos a nossa pedra como complemento e com imensa sinergia, visando atender o consumidor final.
Não foi fácil convencer nossa diretoria desse "achado" comercial, pois teríamos que abrir mão do nosso nome e transferi-lo e aceita-lo com um novo nome - o nome do cliente.É evidente que continuaríamos a fabrica-la normalmente e sem prejuizo de nossa vendas normais.
Era, para a época, um negócio ousado e inusitado, mas com enormes perspectivas comerciais.
Resumindo, fechamos o negócio e o cliente após consultar suas fontes ficou entusiasmado com as respostas positivas e imediatamente nos deu ordem de compra que abrangia uma quantidade muito maior que as nossas espectativas mais otimistas poderiam supor.
Era uma nova maneira  de se entender o valor da sinergia, e sem dúvida esta abordagem imaginativa foi uma das pioneiras dessa nova forma de negociação

CAUSOS CORPORATIVOS

Falar 2 linguas -
Empresa alemã, rígida e sem jogo de cintura, privilegiando a sisudez, a pontualidade e a busca de resultados, alicerçada na convicção draconiana da eficácia de seus executivos financeiros.
Sim, porque o julgamento de performance era muito simplório e rasteiro, pois acreditava no profissional que tinha a máquina de calcular como guia, a indicar os caminhos mais promissores.
O riso, a brincadeira, a gosação inocente tão importante para a aproximação das pessoas, gerando em consequência o tão almejado "espírito de corpo", extremamente necessário para alavancar, através da união de seus vários departamentos, o sucesso  programado, esses atributos não eram valorizados.
Ao contrário, gerava mau estar e repreensão.
Executar projeto visando melhorar eficácia, por exemplo, no lançamento de um novo produto, baseado em estudos do departamento de vendas, eram barrados e não executados até que um "liminar" financeiro, baseado só em números, desse a sua aprovação final.
O presidente da empresa, todo final de ano, patrocinava com pompa, o encerramento do ano, convocando todos os executivos para um jantar comemorativo.
Nessa ocasião fazia um retrospecto do ano e aproveitava para contar sempre a mesma piada, velha e sem graça, do gato que falava 2 linguas. Dizia ele que o gato fazia plantão em frente a ratoeira e começava a latir. O rato achando que estava seguro saía e era devorado.
Essa merda, sem imaginação e sem humor era aplaudida pela platéia submissa e sem personalidade.
Mas esse exemplo de piada deveria incentivar esse presidente a por em prática o conceito velado desse pseudo humor.
Devia entender que ele concentra um universo imenso de correlações que o credenciam a ser portador de verdades ainda não manifestadas mas que encerram grandes soluções.
Deveria então promover as revoluções que a metáfora das 2 linguas propõe para incentivar que todos os departamentos falassem "várias" linguas e assim fazendo promoveria a união ecumênica de seus profissionais.
Mas para isso precisaria de outros atributos que infelizmente a máquina de calcular (o lado financeiro) não pode proporcionar.

sábado, 16 de janeiro de 2016

CAUSOS CORPORATIVOS


O Gerente e o Palavrão -
Executivo de vendas de uma empresa fabricante de matéria prima importantes para industria em geral.
Estávamos vivendo uma época de euforia econômica e o mercado era totalmente comprador.
Foi uma época enganosa em que empresários medíocres, sem nenhum preparo para entender o que realmente estava ocorrendo e simplesmente obedecendo seus instintos primários e arcaicos de levar vantagem em tudo, vendo a facilidade que seus produtos eram absorvidos, simplesmente destruiram seus Dpto. de vendas, colocando na rua os seus integrantes.
Quando a euforia passou e a realidade voltou a ser a norteadora das estratégias, viram-se orfãos de seus contatos comerciais e tiveram que começar tudo de novo, sem contar que perderam, em consequência, toda eficácia calcada na experiência acumulada daqueles "jogados fora", tidos como descartáveis e improdutivos. São aqueles que dizem que quando as vendas vão bem, é ´porque o meu produto é bom, agora quando vão mal, é porque o Depto. de vendas não funciona.
Bom, não foi o nosso caso, mas sequelas desse tempo eram evidentes no nosso dia a dia.
Com excessos de pedidos estávamos sempre  atrasados com nossas entregas, causando sérios desentendimentos com nossos clientes . A tal ponto que fui obrigado a agendar uma visita à nossa fábrica de 2 diretores de uma grande empresa do Rio Grande do Sul, interessados em negociar, pessoalmente uma solução para o seu problema específico. isto é, atrasos constantes prejudicando sua produção.
Nossa fábrica estava situada no interior do Estado SP, cidade bem próxima de Sã Paulo.
Portanto levei os 2 representantes do cliente até nossos escritórios anexos à fábrica para o encontro com nosso Gerente Geral.
Eram instalações bastante modestas e com pouca privacidade.
Sentamos em uma sala de reunião contigua á sala do Gerente Geral.
Ele estava em reunião com nosso gerente de produção e nos pareceu que a conversa não estava nem um pouco amigável.
Lá pelas tantas e no auge da altercação ouvimos, perplexos, o extravasamento de cólera vindo da referida sala.
Disse o Gerente Geral:
----Aqui nessa empresa, eu não admito que nenhum"filho da puta" venha questionar minhas ordens.
O"filho da puta" ressoou com um eco retumbante, empregnando o ambiente de mau estar.
Para disfarçar, propus aos visitantes uma visita ás nossas instalações.
Na volta, já com os ânimos acalmados, fizemos as apresentações e a reunião seguiu sem atropelos.
Na volta, já no carro, um dos executivos comentou que aquele "filho da puta" tão perimptório e agressivo foi um aviso para que as reinvidicações e reclamações programadas fossem minimizadas.
Quase sempre o acaso vem no momento mais adequado, a salvar situações que aparentemente iriam se tornar problemáticas.
"Viva o acaso e o filho da puta".
CAUSOS CORPORATIVOS

O Gago e a Litorina -

Início de carreira - recem formado trabalhando na região de Campinas, embora continuasse a morar em São Paulo, e portanto passageiro frequente da Litorina que ligava estas duas cidades e que nos deixava pela manhã e nos trazia à tarde.
Litorina, para quem não sabe era um mini-trem composto por somente 2 vagões. Utilizado no passado para percorrer com mais rapidez, viagens curtas.
Meu colega de laboratório, o Xavier, era um rapaz muito simpático e fraterno, porem completamente gago!
Certo dia, já no final do expediente, Xavier se deu conta que faltava determinado produto exencial para o término de um experimento importante.
Não hesitou e ligou imediatamente para o Depto de compras solicitando ajuda.
O gerente de compras, o França era um tremendo gozador e começou ouvindo com paciência o Xavier dizendo, ou tentando dizer:
----Sr. França, pre...pre...preciso de um mate...mate...anh...mate...ri...rial e as palavras não saiam e ele nervoso começava a grunhir - anh,anh,ram e nada. Aí o França, maldoso e sabendo que dali não ia sair nada mesmo, gritou assustador:
----Xavier, fala depressa, que eu preciso correr para pegar a Litorina.
Aí o Xavier, resignado, desistiu e falou:
----Então eu afafalo amanhã!
CAUSOS CORPORATIVOS

Teimosia -

A experiência de vida como executivo comercial encerra não só estórias profissionais como tambem, e principalmente acontecimentos do dia a dia que enriquecem nosso entendimento e compreensão do ser humano.
Para melhor atender as demandas de várias partes do Brasil, tínhamos várias bases com escritórios de vendas e depósito de material para pronta entrega.
Um deles estava localizado em Recife e atendia todo o Nordeste.
Lembro de um episódio quando lá estive em viagem rotineira de avaliação e ajuda, bem como conhecimento do mercado. Anteriormente programado junto com o gerente regional, agendamos visita aos nossos clientes da região. Primeira etapa - visita a Fortaleza - CE
O profissional que nos representava no Estado era um cearense típico - falante, extrovertido e um exímio contador de "causos".
Foi possível constatar que os clientes o tratavam com grande respeito e confiança e havia uma empatia sincera entre eles.
No decorrer do dia foi possível ouvir as várias estórias do repertório infinito desse senhor.
Uma delas dizia que em Fortaleza vivia um personagem único, que tinha como característica fundamental a teimosia.
Era inclusive juiz de futebol de praia e era famoso pelas sua decisões sempre contrárias ao desejado pelos times em confronto. SE era penalty ele não dava, Se não era ele dava!
Teimoso como uma mula.
Certo domingo indo a praia com um amigo e conversando normalmente, ouviu seu companheiro dizer:
----Como estão lindas as dunas hoje.
E ele imediatamente retrucou:
----Não é duna é agua!!
O outro, surpreso, mas já conhecendo a "figura' voltou a afirmar que estavam vendo as dunas.
E ele irredutível teimava:
----È água, é água!!
Já com o "saco cheio"e querendo resolver logo a situação propôs que andassem até o local e lá ele iria provar que era duna.
Lá chegando constatou-se que na realidade aquilo que viam eram as dunas.
Bastante nervoso o amigo começou a atirar areia no teimoso e gritava  a cada arremesso:
----Está vendo? È duna.
E o cara de pau do teimoso erespondia:
----Não me molhe!
----Não me molhe!
CAUSOS CORPORATIVOS

"Seu João...Não Veio"!
O título é meio estranho, mas eu explico.
Joãozinho era um grande companheiro em nosso aguerrido e competente Depto. de Vendas.
Baixinho e falador, com sua voz de barítono, gostava de se "pavonear" contando suas conquistas amorosas.
Um dia, me confidenciou,que estava "comendo" a empregada, auxiliar da sua mulher nos afazeres da casa.
Passou algum tempo e ele me procurou, aflito, confessando que estava numa "sinuca de bico".
Dizia ele que à noite, depois do jantar quando sentava junto com a família para assistir televisão, começou a receber recados subrretícios  da empregada.
Escondida atrás de uma coluna, mas de frente para ele dizia aliando gestos e movimento da boca, mas sempre chorosa:
---- Seu João ainda não veio!!
Logicamente atribuindo ao atraso na menstruação.
E o coitado (?) do Joãozinho toda noite tinha que conviver, já meio desesperado, com essa dolorosa afirmação:
----Seu João ainda não veio!!
CAUSOS CORPORATIVOS

"O Pneu Voador" -

     "Tudo leva mais tempo do que se espera
       Tudo é mais difìcil do que se pensa
       Tudo o que pode não dar certo, não vai dar certo
       De onde menos se espera, daí que não sai nada mesmo."
                                                       
                                                    Leis de Murphy


As leis de Murphy. Quem não as conhece? Quem já não com elas brincou e recitando suas assertivas tentou justificar acontecimentos desagradáveis e pouco produtivos?
Quase sempre elas se tornam verdadeiras, na medida exata do pessimismo e baixo astral de quem com ela concorda. Geralmente, para tentar justificar a sua "má sorte". Lamentações, alta estima baixa, falta de motivação.
O melhor seria esquecer o Murphy e arregaçando as mangas pensar positivamente e ser otimista.
Em determinada fase da vida, atravessei momentos difícies, os quais estavam me levando ao desânimo e àquele sentimento perverso de se sentir excluido - nada dá certo para mim!
Estávamos no início da década de 80 e eu possuia uma Brasília 77. Este carro ainda era respeitado e o seu proprietário podia se orgulhar de possuí-lo.
O que vou relatar é absolutamente inusitado, chegando a ser bizarro. Alguns "mui amigos" comentam em voz baixa e maldosamente que não passa de uma grande mentira.
Às vezes, quando estou com paciência, peço o testemunho de pessoas que presenciaram a cena.
Faço isso com honestidade. Nada relacionado com o que era exigido pelo Baudolino( Humberto Eco) que dizia: "Atenção, não peço que testemunhes o que considerares falso, que seria pecado, mas que testemunhes falsamente o que julgar verdadeiro".
Mas vamos aos fatos.
Determinada manhã estava eu dirigindo a minha BMW (Brasilia Muito Velha), vindo de um encontro de negócios no ABC paulista.
Acabava de adentrar a 23 de Maio, vindo da Av. Bandeirantes, ali na altura do aeroporto de Congonhas.
De repente, como se vivenciasse um sonho, fui surpreendido com uma visão extraordinária.
Estava olhando de forma idiota e sem acreditar para um pneu suspenso no ar.
Ele, pneu, havia ultrapassado a passarela de pedestres, bateu uma vez no chão e tomando impulso estava em rota de colisão com quem? Adivinharam, o danado chocou-se violentamente com o parabrisa do carro e acomodou-se , sem cerimônia, no banco do carona ao meu lado.
Após o susto e de forma surpreendente mantive a calma e consegui, com esforço, encostar no meio fio.
Barulho ensurdecedor, buzinas estridentes, xingamentos, freadas, enfim o cáos.
E eu sentado, branco, horrorizado, tendo como companhia um pneu - sim ele era redondo e preto.
Fui cercado pela multidão que normalmente ocorre em acidentes - curiosos, gente solidária oferecendo ajuda, aproveitadores (o sr. já tem seguro?), proprietários de funilaria, etc.
Finalmente apareceu o "dono" do pneu. Contou que estava na pista contrária da 23 de Maio e que repentinamente, após um estrondo, e a perda de controle do carro,percebeu que o pneu do seu lado esquerdo desprendeu-se, com roda e tudo,e começou a pular pela avenida como se tivesse vida própria.
Na certa imaginou que já fosse carnaval e era hora do desfile da sua escola - a unidos da borracharia.
Enorme prejuizo.
O pior foi tentar explicar para a minha mulher que eu havia sido atropelado por um pneu.
Ela só acreditou quando em casa teve a paciência e o enorme trabalho de tirar, quase um a um, as centenas de migalhas de vidro que ficaram impregnadas no meu terno.
Portanto, naquele momento, ao invés de invocar a lei de Murphy, achei mais conveniente agradecer aos céus estar ainda vivo.